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Um dia difícil


Caro e gentil leitor...
espera, lugar errado. Tenho que parar com essas referências a livros, séries e filmes... Bom, eu até pensei em escrever cronologicamente contando sobre a minha infância, adolescência, parte da vida adulta até o diagnóstico e continuar daí, a partir do meu dia a dia convivendo após o diagnóstico, dizendo as dificuldades e superações etc.

Mas a verdade é que acho que não consigo manter toda essa linearidade. Neste exato momento, minha cabeça está um caos. Eu estou odiando viver tudo isso. Odiando o fato das pessoas me acharem esquisita, mas não o suficiente para ser autista. Odiando ver as pessoas que eu amo e que, supostamente, se importam comigo, me dizendo para eu "parar de usar meu diagnóstico como muleta para tudo agora". Me dizendo que eu deveria parar de reforçar essa fala de que sou autista. "Porque você não se encaixa no estereótipo de autismo. Autista é o filho do meu vizinho que não fala com ninguém, se sacode, grita do nada. Você não é assim. Você é bem normal. Então falar isso só faz as pessoas estranharem, se sentirem desconfortáveis e duvidarem da sua capacidade, sendo q vc é muito capaz. Eu te conheço há anos. Você é um pouco estranha, mas todo mundo é um pouco estranho". 

Eu sei que as pessoas não falam com maldade, falam porque realmente acreditam nisso. Mas é extremamente cansativo ouvir coisas desse tipo! Aí eu respondi: "Sim, você me conhece há anos. Mas conhece a parte de mim que eu resolvi mostrar pra você. Só que essa parte 'ensaiada' me deixou cansada e doente. E agora eu sei o motivo. Pode ser mais fácil para as pessoas eu simplesmente continuar a ser quem era. Mas para mim não é fácil. Então eu vou continuar falando sobre autismo exatamente para mudar as imagens que as pessoas têm de que autistas são todos como o seu vizinho. Autismo é um espectro. E autistas crescem e se adaptam de formas diferentes. Isso não me torna menos autista".

Aliados a toda essa montanha russa emocional que venho passando após o diagnóstico, tenho que enfrentar os problemas da vida normal de um adulto: marido que fica doente; um pet que fica doente e é uma luta para dar remédio; um proprietário do apartamento que, do nada, pede o imóvel de volta, mesmo você sendo ótima inquilina, e te dá dois meses para sair... EU ESTOU EXAUSTA! 

Hoje eu simplesmente desabei e chorei no trabalho. Tentei disfarçar, fui para um canto isolado. Mas quando voltei, óbvio que as pessoas viram estampado na minha cara que eu não estava bem. Há muito tempo eu não sei o que é realmente estar bem. E sinceramente eu nem sei o motivo de ter vindo aqui fazer esse post. Acho que eu só precisava extravasar mesmo um pouco...

Deus, se você está aí, dizem que Você só dá um fardo que a gente consiga suportar. Então só queria Te lembrar que eu não sou o Rambo! Tá pesado demais. Troca o lifeplay do hard pro easy, por gentileza, porque eu não aguento mais!

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