"Livrei a sua cara com a sua doutora hoje". Essa foi a frase que o meu marido disse depois de ter uma conversa com minha neuropsicóloga. E perguntei "Como assim? O que aconteceu?". Ele então me respondeu "Ela me perguntou se eu precisava te mandar tomar banho e eu disse que não". Questionei então o motivo de ele não ter contado a verdade: que em algumas vezes ele precisa sim me lembrar de tomar banho, porque eu simplesmente vou fazer outras coisas, como lavar louça, fazer comida, ver uma série com ele e, por estar cansada, deito no sofá e durmo, acordando desorientada e sem lembrar que preciso tomar banho antes de dormir. E ele me respondeu "Para quê? Para ela pensar que você é porca?". A grande questão é que não é um caso de "porcaria". Pessoas autistas têm um problema chamado disfunção executiva. As funções executivas são aquelas que nos ajudam a tomar decisões, ter noção de timing, flexibilidade para mudanças e autocontrole. Mas, qu...
Caro e gentil leitor... espera, lugar errado. Tenho que parar com essas referências a livros, séries e filmes... Bom, eu até pensei em escrever cronologicamente contando sobre a minha infância, adolescência, parte da vida adulta até o diagnóstico e continuar daí, a partir do meu dia a dia convivendo após o diagnóstico, dizendo as dificuldades e superações etc. Mas a verdade é que acho que não consigo manter toda essa linearidade. Neste exato momento, minha cabeça está um caos. Eu estou odiando viver tudo isso. Odiando o fato das pessoas me acharem esquisita, mas não o suficiente para ser autista. Odiando ver as pessoas que eu amo e que, supostamente, se importam comigo, me dizendo para eu "parar de usar meu diagnóstico como muleta para tudo agora". Me dizendo que eu deveria parar de reforçar essa fala de que sou autista. "Porque você não se encaixa no estereótipo de autismo. Autista é o filho do meu vizinho que não fala com ninguém, se sacode, grita do nada. Você não é ...